Pergunta Incômoda Para Quem Acredita no Lulismo
Vocês acham mesmo que o PT é de esquerda? Que ingenuidade adorável…
Deixe-me contar algo que os intelectuais petistas fingem não saber: colocar o trabalhador no centro da política não significa criar crédito para ele consumir mais. Significa transformar radicalmente como a produção funciona, como a riqueza se distribui e quem tem poder de decisão sobre o futuro.
Mas o PT? Bem, o PT confundiu – e será se não era proposital? – cidadania com consumo. E aí está o pulo do gato: quando você transforma o trabalhador em consumidor, você o desune de seus companheiros de classe.

O Que Era Para Ser Feito (Mas Não Foi)
Se realmente colocassem o trabalhador no centro, não seria difícil saber o que fazer:
Educação pública de qualidade que formasse consciência crítica, não mão de obra barata para as multinacionais. Creches em número suficiente para que as mães não precisassem escolher entre trabalhar e seus filhos. Transporte público de verdade em vez desse sucateamento que rouba horas dos trabalhadores todos os dias. Saúde digna que não destruísse a vida de quem produz a riqueza do país.
O PT fez programas sociais. Fez bolsa-família, expansão de universidades privadas, alguma cobertura de creches. Números que parecem bons no gráfico, mas…
A questão é: fizeram isso para libertar os trabalhadores ou para integrá-los ao consumo capitalista?
A resposta está no bolso de quem recebeu: crédito para comprar smartphone, TV de LED, passagens aéreas—tudo financiado em 36 parcelas. A ilusão de ascensão social que na verdade é apenas endividamento legalizado.
A Armadilha Genial do Lulismo
Aqui está o brilho malévolo do lulismo: ele ofereceu aos trabalhadores a aparência de liberdade sem dar a essência. Ofereceu poder de compra sem poder político real.
Quando o trabalhador se vê como consumidor, ocorre uma transformação perigosa. Ele deixa de pensar “nós, a classe trabalhadora, contra a burguesia” e passa a pensar “eu versus o outro trabalhador que conseguiu mais coisas para mostrar no Instagram”.
Isso não é solidariedade de classe. Isso é competição individualizada.
E sabe qual é a “beleza” da estratégia? O trabalhador nunca percebe que está sendo fragmentado. Ele se sente bem. Tem dinheiro para consumir, alguns direitos expandidos, a ilusão de que participou da democracia votando em alguém que “representa seus interesses”.
Mas que tal perguntarmos: quantas greves o PT sufocou? Quantas demandas da classe trabalhadora foram substituídas por “programas de inclusão” que apenas incluíram os pobres como consumidores do mercado capitalista?
Socialismo Não É Isso
Você que pensa que petismo é socialismo: está na hora de ler mais sobre o assunto.
O socialismo diz: “Trabalhadores do mundo, uni-vos”. É uma convocação à coesão, à consciência comum, ao poder coletivo.
O lulismo diz: “Consumidores do Brasil, mostrem quem tem mais coisas nas redes sociais” (ok, talvez não com essas palavras exatas, mas a prática grita mais alto que as palavras).
Uma coisa une as pessoas através de sua condição comum – ser explorado. A outra as divide através da ilusão de que algumas conseguiram “sair” dessa exploração comprando mais. Spoiler: ninguém sai. Apenas se ilude melhor.
O Reformismo É Funcional ao Capital
O PT representa a ilusão de que é possível humanizar o capitalismo, distribuir alguns migalhas a mais, e chamar isso de socialismo. Essa é a mentira que mata revoluções.
O reformismo não fracassa porque é insuficiente – fracassa porque é funcional. Ele oferece válvulas de escape que mantêm o sistema funcionando. Oferece esperança de mudança sem nunca oferecer ruptura real.
Os governos petistas deixaram intactas as estruturas do capital: a apropriação privada da riqueza socialmente produzida, o Estado como instrumento de classe, a propriedade privada dos meios de produção. Apenas colocaram alguns paliativos:
- Programas de transferência de renda (mas sem tocar na questão da renda do capital financeiro)
- Expansão de crédito (que prende os pobres ainda mais ao consumo de dívida)
- Cotas nas universidades (enquanto sucateia a educação pública)
Tudo isso enquanto mantinha os pilares do Estado neoliberal intactos: juros astronômicos, superávit primário, pagamento de dívida externa.
Coesão Social Versus Competição Capitalista
Aqui está algo que ninguém quer admitir: o capitalismo prospera sobre a fragmentação da classe trabalhadora.
Quando você consegue fazer um trabalhador ver outro trabalhador como concorrente – por renda, por posição social, por poder de consumo – você neutralizou a única arma que ele tinha: a união.
O lulismo foi genial nisso. Criou uma “classe média” de consumidores que se veem como ligeiramente superiores aos pobres, ambos competindo entre si, enquanto a burguesia fica na dele controlando capital, meios de produção, poder político real.
O verdadeiro socialismo exigiria reconstruir a coesão de classe. Isso é profundamente radical porque significa:
- Que o trabalhador precisa entender que sua libertação depende da libertação de todos os trabalhadores
- Que consumir mais não é vitória
- Que democracia não é apenas votar a cada 4 anos
- Que é necessário tomar controle real dos meios de produção
Isso nunca virá de um partido que abraçou o Estado burguês e a lógica do capital financeiro.
O Que Fica
O lulismo foi útil para a burguesia brasileira exatamente porque ofereceu a segurança de reformas que integram a classe trabalhadora ao capitalismo em vez de libertar.
Fez tudo que era possível fazer dentro do sistema. E exatamente por isso, não mudou o sistema.
Enquanto isso, aquele slogan marxista “Trabalhadores do mundo, uni-vos” segue esperando por quem o leve a sério.
E você? Ainda acredita que consumir mais é revolução?


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